
| |março 05, 2006| |
mo cuishle |
obs: se você ainda não assistiu menina de ouro, recomendo que não leia o texto a seguir. estou falando sério. há informações realmente importantes sobre o andamento do filme, inclusive o final. se quiser continuar, faça por sua própria conta e risco. assistindo ao filme menina de ouro, consegui resgatar os pensamentos que outro dia passavam por minha cabeça, e que quando tentei transportar em palavras, acabei ficando meio "bloqueado". afinal de contas, o que vale mais a pena: viver durante um longo período de tempo ou o mais intensamente possível? maggie fitzgerald é uma mulher de quase 32 anos que treina pra ser boxeadorae consegue que frankie dunn seja seu treinador. pulando todo o resto do filme e análises comportamentais das personages, que não é a minha intenção, vou direto à luta final: maggie consegue uma luta para disputar o título mundial dos pesos médios-pesados feminino, pertencente a uma truculenta e desleal alemã-oriental. apesar de todas as dificuldades, maggie consegue chegar quase a vencer a luta, e ao final do terceiro ou quarto assalto, após soar o gongo, a campeão dá um golpe desleal em maggie. desleal primeiro porque a luta estava paralisada após o fim do assalto, depois porque maggie estava de costas, andando em direção ao seu córner para esperar o começo do próximo assalto. maggie caiu de cabeça no banco deitado em cima da lona. mais precisamente, caiu de pescoço, e perdeu todos os movimentos do pescoço pra baixo. não podia nem mesmo respirar por conta própria. e foi ao ver aquela boxeadora totalmente paralítica, com apenas 33 anos de idade, após viajar o mundo lutando boxe e conquistando fama e dinheiro, que comecei a pensar se valia a pena viver naquele estado, não podendo sequer respirar por conta própria. ela estava presa à cama do hospital, podia apenas falar, e mesmo assim não muito bem. aí eu me lembrei daquele domingo em que eu comecei, não lembro porquê, a pensar se era melhor viver saudavelmente longos anos, sempre se preocupando com a saúde, ou se vale mais a pena viver intensamente, aproveitando cada segundo, sem se preocupar muito com as conseqüencias de seus atos, se faz bem pra saúde ou não. uma decisão que deve ser tomada com cautela, mas logo nos primeiros dias que você começa a tomar decisões por si mesmo. brincando na chuva você pode pegar pneumonia. no caso de maggie, ela se arriscou, lutou boxe e foi até o desafio à campeã. e acabou paralítica. ela se arriscou, viveu cada momento, e acabou numa cama de hospital aos 33 anos de idade, sem poder se mexer. ela podia viver muitos anos naquela cama de hospital, mas preferiu que sua vida acabasse logo. ela viveu intensamente, não via mais motivos pra continuar. acho, então, que o melhor mesmo é viver intensamente cada momento. não precisa chegar ao limite entre a vida e a morte, apenas viva o mais intensamente que puder e, quando sua hora chegar, não haverá motivos pra arrependimentos. faça tudo o que puder fazer, e vá feliz. faça de sua morte um momento feliz, ao menos pra você. faça como maggie: aproveite sua estada neste mundo, faça sua vida ser o mais proveitosa possível e, quando você tiver que escolher entre ficar mais tempo cheio de limitações ou partir mais cedo, escolha partir, e vá feliz! e se você não viu o filme e leu todo o texto até aqui, o problema é seu. eu avisei que era melhor não ler. |felipejb @ 1:33 AM| || |mande para um amigo| |
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