
| |maio 11, 2006| |
razão x emoção |
quem torce está sujeito a uma emoção sem igual. a sensação de estar empurrando o time naquele que pode ser o último ataque do jogo, que pode valer o campeonato! torcer não é um sentimento racional, é puramente emocional. os palmeirenses mais ardorosos continuam torcendo por seu time, mesmo com a crise aparentemente instaurada no clube. eles acreditam na virada, na mudança, num gol de canela aos 45 do segundo tempo que pode mudar o rumo do jogo, do campeonato. bem como os corintianos. torcer atiça tanto as emoções do ser-humano que ele chega a ficar supersticioso quando está assistindo a um jogo de futebol (ou qualquer outro esporte). superstição que, por ser puramente emocional, não tem explicação. se está dando certo, pra quê mudar? como no jogo de domingo, são paulo x corinthians, quando o tricolor perdia por 1x0 e chegou meu primo, são-paulino, me cumprimentou, sentou-se num banquinho da cozinha da casa da minha avó e o são paulo empatou. no exato instante. eu olhei pra ele e disse com convicção: "matheus, não levanta mais daí!" eu não sou supersticioso, apenas torcedor. sou racional até demais na maioria do tempo. claro que essas emoções todas não justificam atos de violência como o acontecido no pacaembu após o terceiro gol do river plate, que eliminou o corinthians da libertadores. não justifica a invasão de torcedores são-paulinos ao campo após o término do jogo são paulo x ituano, último jogo do campeonato paulista de 2006, que levou torcedores a assaltar o thiago em campo, deixando o coitado apenas com uma meia no pé e a cueca. não justifica marcar brigas pela internet contra torcedores dos times rivais, que levam à morte de cada vez mais torcedores. pelo contrário, poderia justificar um desentendimento mais feio entre dois amigos torcedores de times diferentes, mas que, passado o fervor da discussão, reatariam a amizade, se desculpando e marcando de ir ao estádio no próximo confronto entre os dois times. torcer é se emocionar, gritar, berrar, xingar, chorar, fazer piada. é chegar no dia seguinte ao trabalho ou à escola e tirar sarro do colega cujo time perdeu no final de semana. é fazer inúmeras piadas inofensivas tirando sarro dos corintianos que nunca ganharam uma libertadores, do lanterna verde palmeiras, que está de volta, do são paulo pipoqueiro. é rir, pedir mais uma cerveja e ir para casa conversando numa boa, sem deixar que os demônios do dia-a-dia consigam atravessar a barreira entre a torcida e a violência. não há cientista que possa explicar quais fatores químicos, físicos ou biológicos justificam a escolha de uma pessoa por um determinado time. caso contrário, seria racional, e a cada temporada a torcida do time que esteja melhor tecnicamente seria a maior torcida. claro, pois se o time b é melhor que o time a em tais atributos, seria lógico escolher a torcida pelo time b, oras bolas. não podemos esquecer, no entanto, que assim como a torcida é pura emoção, o futebol não segue nenhuma lógica. é perfeitamente possível que o time mais fraco vença uma determinada partida. porque o futebol é assim: uma caixinha de surpresas. |felipejb @ 12:13 AM| || |mande para um amigo| |
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